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Governo busca maior alinhamento com a banca para financiar a economia angolana

Num contexto de recuperação económica e crescimento sustentado, o financiamento à economia real surge como um dos pilares estratégicos para consolidar a diversificação e impulsionar o setor não petrolífero em Angola. O secretário de Estado para o Investimento Público, Ivan dos Santos, destacou esta terça-feira, 17 de novembro, durante o XIV Fórum Economia & Finanças promovido pela Associação Angolana de Bancos (Abanc), que a principal dificuldade ao crescimento económico reside na limitação de acesso a crédito e instrumentos financeiros adequados para o empresariado nacional. Ao mesmo tempo, ressaltou os avanços da banca em inovação e na criação de mecanismos de apoio que podem transformar este desafio em oportunidade para a expansão económica do país.

Crescimento económico e o papel do setor não petrolífero

Segundo Ivan dos Santos, Angola registou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,4% em 2024, “o maior crescimento dos últimos dez anos”, com tendência positiva mantida no primeiro semestre de 2025, refletindo uma recuperação sólida e consistente. Apesar do peso histórico do setor petrolífero, o foco do Governo é fortalecer a economia não petrolífera, considerada estratégica para a diversificação económica, criação de emprego e redução da vulnerabilidade externa do país. Este setor engloba atividades produtivas, serviços, comércio e indústria, cujas necessidades de financiamento ainda carecem de soluções adaptadas, dada a menor capacidade de acesso a crédito em comparação com a grande indústria extractiva.

A legitima preocupação do Governo é, portanto, plenamente justificada. Para que a economia não petrolífera possa crescer de forma sustentada, é fundamental que os empresários tenham acesso a financiamento acessível, mitigado por instrumentos de gestão de risco e apoiado por políticas públicas estratégicas. Neste contexto, a inovação bancária, que inclui produtos adaptados para pequenas e médias empresas, linhas de crédito especializadas e garantias de crédito, torna-se uma ferramenta essencial para catalisar investimentos e fomentar competitividade no mercado interno.

Diversificação dos serviços bancários e instrumentos de mitigação de risco

Durante o fórum, Ivan dos Santos salientou que os bancos têm implementado mecanismos inovadores de financiamento para apoiar a economia real. E destacou também o Fundo de Garantias de Crédito, concebido pelo executivo como instrumento de mitigação de risco, capaz de reduzir as barreiras de acesso ao crédito e incentivar instituições financeiras a ampliar o financiamento a empresas, especialmente micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). Este fundo funciona como uma ponte entre o risco percebido pelos bancos e a necessidade de capital dos empresários, promovendo um efeito multiplicador. Ao reduzir a percepção de risco, aumenta-se o volume de crédito concedido, dinamizando investimentos e estimulando a criação de emprego formal.

A diversificação dos serviços bancários também desempenha papel central neste processo. Linhas de crédito estruturadas, factoring, leasing, financiamento de exportações e produtos de trade finance permitem às empresas gerir capital de giro, investir em inovação tecnológica, expandir operações e acessar mercados internacionais. Paralelamente, a integração de soluções digitais e plataformas financeiras inovadoras contribui para reduzir custos operacionais, aumentar a transparência e agilizar o acesso a instrumentos financeiros, reforçando a eficiência do sistema bancário como parceiro estratégico do Governo.

Alinhamento estratégico entre Governo e banca

Do ponto do magazine Online ECONOMIA RURAL, a iniciativa do Governo de promover maior alinhamento com a banca é crucial para consolidar um ciclo virtuoso de crescimento sustentável. O financiamento adequado à economia real não é apenas um mecanismo de liquidez; é um instrumento de transformação estrutural. A combinação de políticas públicas estratégicas — como o Fundo de Garantias de Crédito — com produtos bancários diversificados cria condições para que empresas nacionais ampliem a produção, aumentem a produtividade, integrem cadeias de valor e participem de forma competitiva no comércio regional e internacional.

Além disso, o fortalecimento do setor não petrolífero contribui para reduzir a dependência de commodities, diversificando a base econômica do país. Esta abordagem é alinhada às melhores práticas internacionais observadas em economias emergentes, como Brasil, Índia e México, onde a integração entre instrumentos financeiros especializados e políticas de apoio público tem sido decisiva para estimular crescimento, gerar emprego e atrair investimento estrangeiro direto.

“O financiamento adequado à economia real não é apenas um mecanismo de liquidez; é um instrumento de transformação estrutural.”

A preocupação do Governo angolano com o alinhamento entre políticas públicas e inovação bancária é plenamente legítima e estrategicamente relevante. A diversificação dos serviços financeiros, aliada a instrumentos como o Fundo de Garantias de Crédito, cria um ecossistema propício para o financiamento da economia real, apoiando o crescimento do setor não petrolífero, a modernização das empresas nacionais e a inclusão de novos agentes económicos no mercado formal.

Para investidores estrangeiros, esta convergência entre Estado e setor financeiro representa uma oportunidade clara: um ambiente mais seguro, previsível e favorável ao investimento produtivo, capaz de gerar retorno sustentável. Ao mesmo tempo, oferece ao empresariado angolano as ferramentas necessárias para crescer, inovar e integrar-se em cadeias globais de valor. Em suma, o fortalecimento do alinhamento entre Governo e banca é um passo decisivo para consolidar uma economia resiliente, diversificada e competitiva no cenário regional e global.

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